Faziam 4 horas que eu estava parada na mesma posição. Deitada no chão, de barriga pra cima, braços paralelos ao corpo, pernas esticadas, olhos fechados. Eu estava ali, há tanto tempo, pois não conseguia fazer mais nada, além de ficar deitada. Não conseguia me levantar, andar, escrever ou falar. Apenas pensar. E agora, nesse momento, você está acompanhando meu pensamento, enquanto eu estou aqui deitada. Você é um expectador, e está andando por entre tudo o está se passando pela minha cabeça. Só peço uma coisa: não tire nada do lugar.
Vamos voltar a meus pensamentos e explicações, porque afinal, é por isso que você está aqui.
Outro motivo por eu estar deitada a tanto tempo era que, quando tentava me levantar, minha ânsia fazia com que eu levantasse em um salto, sendo assim, quando eu me via sentada, uma vertigem me tomava o corpo, tudo se fazia preto diante de meus olhos. Punha-me a deitar novamente. Quando começava a lembrar do que estava fazendo antes e de como estavam sendo meus dias, percebia que minha memória estava se desfazendo, começava a me perguntar onde eu estava. Não me lembrava mais de nada com facilidade e começava a esquecer também quem eram as pessoas ao meu redor. Uma sensação de extrema estranheza quando você mentaliza o rosto de alguém e sabe com convicção que a conhece e que é bem próximo de você, porém, você não consegue lembrar de maneira nenhuma quem é essa pessoa. Isso faz com que você comece a tratar mal todos ao seu redor. Imagina como deve ser ruim, uma pessoa vir te fazer carinho e conversar com você, você sabe que conhece ela, sabe até definí-la de mãe, amigo, amiga. Mas ela aparece com tanta estranheza à seus olhos, tanta, que você realmente se pergunta "eu sei que você é fulano, mas... quem é você?".
Apenas não chegue perto.
As coisas que me dizem também começa a não fazer mais sentido. Eu não acredito em mais ninguém, apenas as minhas (des)construções e verdades me servem. E eu (não) sou feliz assim.
O pior de tudo é que eu tinha total noção de que eu me afogo em minhas próprias divagações. Eu crio tudo pra mim, eu me mato aos poucos. Eu sei que o ostracismo em que eu vivo, é induzido. Sei que os obstáculos são criados por mim mesma.
Agora, vou me despir. Não das roupas, mas das mentiras. Aliás, da mentira. Eu gosto disso. É verdade, não nego, não tenho como, nem posso. Que graça teria a vira se todos fôssemos felizes? Se não houvessem batalhas psicológicas? Que graça teria uma pessoa, se ela não fosse difícil de compreender? Nenhuma.
Eu aprecio a depreciação.
3 comentários:
agressiva.
não tire nada do lugar...
(...)
a não ser que eu permita...
e o que do lugar voce tirar...
faz o favor de no lugar novamente colocar...
um dos melhores comentarios até agora,vamos trabalhar em cima dessa cura/vacina que seja.Investigemos sobre tal.
ps: pra quem tomou vacina rubeola de supetão qlqr coisa é mole pro gato.
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